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As Idades das Casas – da Gravidez ao Céu

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 Será que  o mapa astrológico pode conter o nosso ADN biográfico? Poderá descrever o nosso processo de evolução, desde a fase de embrião até às etapas maiores da vida? Será possível compreender melhor a história da nossa gravidez, parto e crescimento? Qual a sua importância para a definição do nosso caráter? O que teremos a aprender, individualmente, nas grandes fases da vida?

 O Mapa Astrológico é um todo biográfico. Em cada casa escreve-se a história dos desafios da nossa vida, nas diversas etapas de crescimento. Autores como Rudhyar(1), Ruperti(2) e A.T.Mann(3) desenvolveram de forma muito interessante este conceito holístico, particularmente, este último uma vez que integrou também a fase da gestação na leitura do mapa.

   A abordagem que se segue é uma síntese destas visões modernas e psicológicas de interpretação astrológica, mas adaptadas à minha própria investigação como astrólogo e, portanto, com alguns ajustamentos ao nível das idades e processos de cada casa. Esta visão é muito útil para qualquer astrólogo ou estudante de Astrologia, porque promove o desenvolvimento da sua intuição, a partir de um suporte muito completo, integrado e psicologicamente profundo, com ganhos evidentes no processo auto-terapêutico e na relação com o cliente.

 

A PAIXÃO

   A Casa 8 representa o estado relacionamento do casal (nosso pai e mãe) antes da conceção, ou seja, os desafios que estariam a viver, as cedências e paixões, a harmonia ou os problemas, bem como a sua sexualidade como casal. Também pode indicar o estado emocional da mãe, antes da época da conceção. Astros como Saturno indicarão uma tendência para uma fase algo dura ou distante do relacionamento entre ambos, ou uma fase de solidão da mãe antes de conhecer o futuro companheiro. Astros como o Sol indicarão uma fase feliz de alegria e paixão, mesmo que com o domínio de um em relação a outro.

 

A CONCEÇÃO

   A Casa 9 retrata relativamente bem a fase da conceção, como estariam os pais nessa altura, se foi uma conceção difícil ou espontânea, quem seria o progenitor com mais vontade, se os pais (e sobretudo mãe) estavam numa altura alegre e feliz das suas vidas, ou a desenvolver cumplicidade. Por exemplo, Júpiter colocado nesta casa indica um ambiente de conceção com bastante liberdade, aventura e alegria. Como as casas formam um eixo, é importante também reparar nos planetas na Casa 3, já que acrescentam informação sobre o ambiente do quotidiano dos pais nesta fase.

 

A GRAVIDEZ

A Casa 10 representa a forma como a gravidez foi reconhecida e aceite pela mãe, normalmente, com cerca de 1 a 2 meses de gravidez. Planetas como Vénus sugerem que se sentiu muito feminina e que gostou da “notícia”, ficando mais encantada. Planetas como Marte podem indicar a existência de alguma raiva ou conflito interior, motivado pela posição do pai ou pelo excesso de atividade que a gravidez implicaria na vida da mãe. Completando o eixo, a Casa 4 estará mais associada à reação do pai ou da família paterna quando tiveram a consciência que a gravidez estava em curso. Estas primeiras impressões serão revividas mais tarde, depois do nascimento e também na vida adulta, nas relações parentais.

 

A SOCIEDADE

    A Casa 11 associa-se à fase em que a barriga da mãe está já em crescimento acelerado, sendo impossível disfarçar a gravidez perante a sociedade. Corresponde sensivelmente à fase entre os 3 e os 6 meses de gestação. Surgem aqui naturalmente questões de curiosidade e de um certo mexerico social e familiar, bem como expectativas e necessidade de dar algumas respostas ao exterior: quem é o pai; se o bebé é menino ou menina; como está a relação; como pretendem viver agora, etc. A futura mãe é desafiada a interagir socialmente de outra forma, a ser alvo de atenções e a discernir a qualidade de compromisso social que tem com o pai da criança. A casa 5 forma um eixo com a Casa 11, revelando também como a mãe viveu o namoro, a sua liberdade pessoal e o seu prazer sexual, nesta altura de gravidez. Por exemplo, astros como Mercúrio nestas casas sugerem uma certa neutralidade emocional e boa comunicação social, nesta fase.

 

O REPOUSO

   A Casa 12 corresponde aos últimos meses de gravidez, dos 6 aos 9 meses aproximadamente, em que a vigilância tem que estar mais ativa, pois o parto pode acontecer a qualquer momento. Nesta altura, recomenda-se o repouso da grávida, o seu recolhimento e atenção médica ou familiar, para que não esteja sozinha num momento de urgência. Surgem obviamente alguns medos físicos pela aproximação do grande momento, bem como ansiedade e grande expectativa. Astros como a Lua, revelarão alguma insegurança e carência nesta fase da gestação, por exemplo. No seu lado oposto, a Casa 6 indica como a Mãe se sentiu no seu próprio emprego e como seguiu as indicações de cuidados necessários para esta fase, como a alimentação, sono, horários, e se sentiu ou não fisicamente condicionada nessa fase final de gravidez.

 

O PARTO

   A Casa 1 traduz, como é mais sabido, a experiência do parto, a reação dos pais ao nascimento do filho (sua aparência, sexo e condição de saúde) e a atitude perante a criança até cerca seus dois primeiros anos de vida. Toda esta energia é fulcral na delineação do caráter futuro da personalidade que acaba de nascer. Por exemplo, Marte no ascendente é muito frequente em situações em que o sexo do bebé contraria o que era claramente desejado por um dos pais – há uma zanga inconsciente para com a criança – enquanto que o Sol sugere ter sido bem recebido, com alegria e orgulho.  Estas impressões vão influenciar muito da atitude perante a vida, mais tarde.

    A Casa 7 opõe-se à Casa 1 e retrata o relacionamento entre os pais nessa época pós-parto, nomeadamente, se foi melhorado, reforçado ou dificultado com o nascimento da criança. Júpiter ou Vénus aqui colocados sugerem um reforço do amor e da liberdade entre o casal, enquanto Marte e Saturno uma possível separação, conflito ou afastamento emocional. Estes fatores têm repercussão inconsciente pela forma como o adulto, mais tarde, vive e confia nos relacionamentos.

 

O ALIMENTO

     Os signos e planetas na Casa 2 dão indicações sobre a segurança sentida pelo bebé, aproximadamente entre os 2 e os 4 anos. A estabilidade dos pais para com a criança, os horários alimentares e de sono, bem como a tranquilidade do ambiente familiar serão fatores importantes nesta fase de vida. Aqui, é de esperar que a criança desenvolva um sentido territorial e de posse em relação aos pais e em relação aos seus brinquedos. A Casa 8 opõe-se e representa as crises de atenção desta fase, pela falta de tempo dos pais, devido a questões de trabalho, financeiras, educação de irmãos, ou devido ao próprio envolvimento emocional e sexual entre os pais.

 

   A ESCOLA

     De seguida,  surge a Casa 3 que representa os desafios associados às idades de entrada na escola, concretamente entre os 4 e os 7 anos. Nesta etapa, é natural um maior contacto com o espaço exterior, sejam os transportes, a rua ou a própria escola, em que são desenvolvidos contactos com outros pares (os colegas), em que é também desafiada a aprendizagem e a sociabilização, para além da esfera familiar.

    À Casa 3, opõe-se a Casa 9 que representa os princípios educativos paternos e impacto de professores ou mentores familiares na educação da criança. Como sempre, astros com significados mais fluidos facilitam toda esta etapa, enquanto que astros de dificuldade vão criar aqui alguns obstáculos necessários ao desenvolvimento da consciência pessoal.

 

   A FAMÍLIA

     Entre os 7 e os 14 anos, desenvolve-se uma etapa de consolidação ou consciência de toda a dinâmica familiar mais global. É a fase da Casa 4, em que são absorvidos a um nível mais consciente os modelos parentais, uma vez que a mente está bastante mais madura e desperta. A funcionalidade da família torna-se fundamental, uma vez que surgem aqui questões de mudança de identidade com o início da puberdade, que acarreta também alguns desafios de autoridade. Esta Casa complementa-se com a Casa 10 em que se entende melhor o papel social e profissional de ambos os pais. Como sempre, as influências nesta etapa da vida irão ressoar mais tarde, no conceito de família e de carreira do indivíduo.

 

 A SEXUALIDADE

     A Casa 5 associa-se à etapa entre os 14 e os 21 anos, fértil na procura de liberdade, do romance e da vida boémia. A expressão da sexualidade assume aqui grande importância, bem como uma certa irreverência e busca de independência, com os olhos postos na exploração do novo campo sentimental e sensorial. É uma altura de desporto, de dança e de muita vitalidade física. Astros como o Sol aqui colocados favorecem a vivência desta etapa.

   Esta casa opõe-se à casa 11 que está associada à vivência dos grupos de amigos e à sociabilização mais adulta, como os jantares, as festas, as reuniões, e manifestação social dos compromissos amorosos.

 

 O TRABALHO

     A Casa 6 representa o trabalho humilde e está associada, na minha opinião, à altura de vida entre os 21 e os 28 anos em que quase todas as pessoas são confrontadas com os desafios materiais da independência. Naturalmente, após uma fase mais louca da Casa 5, aparece a Casa 6 que pede alguma disciplina e humildade perante as autoridades para quem trabalhamos ou com quem nos relacionamos.

   É uma altura de algum sacrifícios e que pede organização e competência, na gestão do dia-a-dia. No lado oposto, a Casa 12 retrata as necessidades de fuga à realidade, nesta etapa, e procura de um sentido mais profundo para a vida, além de uma rotina mecânica. Podem surgir aqui tendências destrutivas ou escapistas, bem como a valorização maior dos períodos de descanso e retiro, como os fins-de-semana, as férias, as noites, e o lazer.

 

O CASAMENTO

     A Casa 7 associa-se à etapa entre os 28 e os 42 anos, em que desenvolvemos um sentido mais equilibrado, consciente e adulto de relacionamento com os outros, após a ascensão do Ego (casa 5) e queda do Ego (Casa 6). É uma altura em que definimos os nossos verdadeiros casamentos de vida, seja uma relação, um trabalho, uma família, ou todos os fatores em simultâneo.

    No lado oposto, temos a Casa 1, daí esta etapa ser uma oportunidade grande de auto-consciência, identidade, e definição do verdadeiro caminho pessoal, com livre-arbítrio. É importante que o ser humano tome aqui decisões significativas, em verdadeira consciência de si.

 

A CRISE

     Depois dos 42, na fase da Casa 8, despontam aqui desafios verdadeiramente transformativos. Naturalmente, devido à inflexão da curva de vitalidade aparecem questões de auto-estima e, consequentemente, de segurança no relacionamento. Nesta etapa, entre os 42 e os 56 anos são normais os divórcios, depressões, angústias financeiras e mortes de familiares (os pais). Pode ser uma etapa de consciência de poder financeiro e emocional, ou da sua falta, o que origina profundas crises psicológicas e até de saúde. Há uma confrontação com as escolhas do passado, a proposta de uma grande transformação de valores e mais altruísmo, por exemplo, em prol dos filhos, de causas sociais ou simplesmente de uma maior intensidade de vida.

   No lado oposto, a Casa 2 complementa este eixo, com uma noção mais clara da auto-estima, da segurança material alcançada e da estabilidade pessoal.

 

   A EXCURSÃO

     Voltando de novo à casa 9, depois de todo um grande ciclo, são colocadas aqui necessidades mais existenciais e espirituais, que podem levar os indivíduos a ler mais ou viajar mais, enquanto sentem ainda vitalidade física. Esta fase, dos 56 aos 70 anos, é uma altura de reavaliação de vida e de educação de princípios aos mais novos, nomeadamente, os netos. É uma boa fase para se aplicar as poupanças de uma vida de trabalho, em viagens.

   Esta casa, complementa-se com a casa 3, pelas situações de reaprendizagem prática e intelectual que podem aparecer nesta etapa, seja por vontade dos próprios ou por solicitação dos seus netos.

 

  A ASCENSÃO

     A Casa 10 estará relacionada com a fase entre os 70 e os 84 anos, correspondentes à esperança média de vida nos países desenvolvidos. Existe aqui, naturalmente, uma revisão das grandes realizações de vida, uma clarividência maior do verdadeiro poder social (após as obras pessoais e criativas terem amadurecido) e, idealmente, maior respeito público, devido à idade alcançada. Pode surgir uma derradeira vontade de entregar mais contributos sociais e, por exemplo, aplicar todo o património construído em determinados projetos para o futuro da sociedade ou da família.

    Esta casa complementa-se com a Casa 4, uma vez que nesta fase de vida, o contexto familiar (filhos, netos, conforto doméstico) torna-se cada vez mais importante para uma vida significativa e com qualidade.

 

…..

Mais fases poderíamos delinear ainda mas, hoje, ficamo-nos por aqui. Resta lembrar que detalhes como os planetas regentes de cada casa, bem como os aspetos aos ângulos são também fundamentais nesta análise.

Diagrama das Idades das Casas, segundo João Medeiros

Obrigado e bons estudos!

João Medeiros

Artigo publicado pela primeira vez na edição nº 2 (Outubro 2012) do Jornal Astrológico 4 Estações, Associação Portuguesa de Astrologia, sob o título “As Idades das Casas – de Embrião à Ascensão”

Bibliografia e Notas:

1 As Casas Astrológicas, Dane Rudhyar (1972)

2 A Roda da Experiência Individual, Alexander Ruperti (1983)

3 The Divine Life, A.T.Mann (2002)

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