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Astrologia Horária – a Chave Perdida

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Poucas pessoas sabem que existem vários ramos da Astrologia. O mais espantoso no seu funcionamento é, sem dúvida, o ramo da Astrologia Horária.

Na verdade, corresponde à “Chave Perdida” desta disciplina sagrada que nos permite perceber a sua essência: holográfica e de plena correspondência entre Mente (Céu) e Matéria (Terra).

Neste artigo, estudamos os casos de procura de objetos perdidos com a Astrologia, com dois exemplos práticos.

Em situações de ansiedade em que perdemos objetos importantes – sejam jóias, documentos, relógios, telemóveis, carteira, ou outros – e nas quais esgotámos todas as hipóteses mais razoáveis para a sua localização pode ser muito útil colocar a pergunta horária ao astrólogo: “onde está o objeto que eu perdi?”.

Chave_Perdida_2

Não só a análise do mapa (calculado para o local em que o astrólogo está quando recebe a pergunta) permite aferir sobre a possibilidade de recuperação do objeto, como também sobre o tempo para a sua descoberta e áreas onde poderá estar localizado.

Em rigor, estes são casos tecnicamente muito difíceis de analisar, segundo John Frawley, uma vez que não há muitos limites para o tipo específico de locais onde o objeto possa estar (ou seja, a resposta não tem um limite binário do género “Sim” ou “Não”).

Ainda assim, a prática e o estudo poderão levar a uma compreensão muito fiável do estado e localização do objeto, como nos demonstrou por diversas vezes o astrólogo clássico William Lilly (tendo ficado célebre o seu caso “Where is my fish?“).

Vamos, então, aos princípios essenciais da interpretação horária nestes contextos.

 

O OBJETO PERDIDO

O objeto perdido é normalmente representado pelo regente da Casa 2 (associada a bens móveis e a posses, em geral) mas também pela Lua, associada a algo que está em falta e que se procura.

Porém, em determinados casos o objeto pode ser representado por outros astros, na medida, em que o representem melhor. Exemplo: se o objeto é uma moeda de Ouro, poderá ser representada pelo Sol, que governa o Ouro; se é um colar de bronze pode ser significado por Vénus, associada a objetos decorativos e ao bronze.

joias

O Fundo-do-Céu (o início da Casa 4, das fundações) e seu regente também está associado ao tipo de “chão” ou solo onde poderá estar pousado o objeto. Por exemplo, se num signo de Fogo – num local luminoso, aquecido ou no exterior; num signo de Água – num local húmido, frio ou no interior.

Uma vez encontrado o significador do objeto perdido, a sua posição por Casa já dará uma boa indicação da sua proximidade e, portanto, hipótese de recuperação.

Se estiver em Casas Angulares (1, 4, 7, 10) ou sobre os Ângulos : indicação de que estará muito próximo e, portanto, é facilmente recuperável. Em Casas Sucedentes (2, 5, 8, 11): estará numa distância intermédia. Em Casas Cadentes (3, 6, 9 e 12): estará mais distante, sendo a recuperação mais difícil.

Os Signos também refletem direções cardeais: Fogo – direção Leste; Água – direção Norte; Ar – direção Oeste; Terra – direção Sul; e os ângulos igualmente – Ascendente / Leste; Descendente / Oeste; Fundo-do-Céu / Norte; Meio-do-Céu / Sul.

Os aspetos aplicativos entre a Lua, o significador e o regente do indivíduo (normalmente, o regente da Casa 1) poderão dar indicações sobre o timing de recuperação do objeto. Porém, nem sempre é necessária a existência desses aspetos uma vez que o objetivo principal da pergunta é precisamente o de descrever a sua localização, sendo os aspetos indicações secundárias.

Por exemplo, se o significador do objeto está combusto (a menos de 8 graus do Sol) estará pouco visível ou mesmo invisível sendo naturalmente descoberto quando passar a combustão e voltar a “luzir”. Se estiver retrógrado, também indica hipótese de recuperação: regressar ao seu dono.

Vejamos dois exemplos reais.

EXEMPLO 1 – A CHAVE PERDIDA

Perdi a chave do meu carro em Novembro de 2014. Felizmente, tinha uma chave em duplicado. Mas como dá sempre jeito ter as duas chaves disponíveis, em particular quando partilho a viatura com familiares, resolvi colocar a questão ao universo, para perceber onde estaria (se em casa; se fora de casa; se seria recuperável). Eis o mapa da pergunta.

Chavs_Carro

Desde logo o mapa revela bastante radicalidade, ou seja, adequação ao contexto. Tanto a Casa 1 (o Eu) como o objeto perdido (as minhas chaves – Casa 2) são regidos pelo mesmo astro: Mercúrio, que por “acaso” é também o significador universal de qualquer tipo de chaves (instrumento manual com código único que serve para abrir portas e fazer pontes).

A mutabilidade do Mapa (Ascendente Virgem, Sol e Vénus em Sagitário) também sugere a dualidade (haver duas chaves). A conjunção exata de Saturno a Mercúrio descreve perfeitamente a chave, que é envolvida numa caixa preta (onde está alojada também a parte elétrica – o comando da mesma).

chaves_polo

Agora, respondendo à questão: onde está a chave? É recuperável?

Mercúrio está mesmo angular, conjunto ao Fundo-do-Céu, e num signo Fixo, de Água. Desde logo fiquei mais aliviado. A sugestão do mapa é que a chave estaria em casa, no chão, mesmo em baixo dos meus pés, num sítio ligado a Água ou junto a paredes (mesmo na Cúspide) entre divisões com água… O Signo (Água) e a cúspide (Fundo-do-Céu) sugeriam a parte Norte da casa….Mas procurei… e não encontrei.

Chave_Mercurio

Entretanto, reparei que Mercúrio estava a caminhar para a combustão – a menos de 7 graus do Sol – sendo o Sol o regente da Casa 12 (coisas escondidas). Por outras palavras, não valia muito a pena procurar mais porque ele voltaria a aparecer quando Mercúrio saísse da combustão, passadas poucas semanas.

E assim foi. De 22 para 23 de Dezembro de 2015, na exata saída da combustão, a chave foi encontrada ocasionalmente (por outra pessoa que não eu) em baixo de uma grande estante numa sala privada de minha casa (localizada a Norte / Nordeste). A parede está colada a uma casa de banho (regida pela Água, e especialmente, por Escorpião).

Não faço ideia como a chave foi lá parar, e como não a encontrei após procurar – mas o facto é que voltou a aparecer, como sugeria o mapa, nos locais representados e nos tempos sugeridos pela teoria astrológica.

EXEMPLO 2 – A CARTEIRA PERDIDA

Numa das manhãs de um workshop intensivo de Astrologia, a aluna X veio ter comigo e diz: “o colega L está lá fora muito preocupado porque perdeu a carteira; será que podemos fazer uma pergunta horária para a localizar?“.

O colega L. tinha vindo do Algarve para o curso e tinha ficado num hotel. Na noite anterior, tinha saído do curso, passado por um restaurante e andado de metro até ao Hotel. De manhã, tinha feito o percurso inverso. Portanto, ou a carteira estaria já bem longe e alguém a tinha roubado, ou então, estaria algures no percurso entre o local do Workshop (Hotel P), restaurante, linha de metro e Hotel A (onde ficou hospedado).

Eis o mapa do momento em que a colega X (regida por Mercúrio, no seu mapa natal) me dirigiu a pergunta:

Carteira_Luis

A pessoa que colocou a pergunta é representada por Mercúrio – regente da Casa 1 (foi a aluna X que se lembrou de colocar a questão ao professor; não foi mensageira do colega, porque nesse caso Mercúrio representaria o colega L.)

O colega L. é representado pela Casa 7 e seu regente – Júpiter. Ele é o viajante. O objeto perdido é representado por Saturno, regente da 8 (a Casa derivada 2 a partir da 7). A carteira era preta (Saturno) e algo desorganizada (Sagitário), o que nos reforça a radicalidade do significador.

O facto de termos uma Lua na Casa 8 também sinaliza o foco da preocupação geral da intepretação: o seu dinheiro.

E o que podemos constatar, então? Saturno está estacionário sobre o Descendente (a uma distância de 2 a 3 graus) virando retrógrado poucas horas depois. Está um pouco abaixo do horizonte, o que sugere estar numa altura média-baixa (e não necessariamente no chão). Por exemplo, à altura de uma cadeira.

Saturno-Carteira

Portanto, teoricamente, a carteira estaria no poder do colega L., parada, ao seu dispor. Provavelmente, numa direção leste (signo Fogo). No entanto, Saturno estava quase a cair para a 6 (Casa 12 a partir da 7) e daí a ambiguidade da posição: longe mas ao mesmo tempo muito perto e recuperável.

A interpretação não foi fácil e embora o mapa desse muita esperança na recuperação – ficámos todos um pouco em suspenso… o colega ligou para o hotel, e diziam que não estava lá…. falou com o restaurante, e também não viram a carteira.

Pelo senso comum, a hipótese mais viável seria tê-la perdido no metro. No entanto, o mapa era bastante antagónico a esta hipótese, dizendo que, pelo contrário, estaria parada e recuperável, ao dispor do seu dono. Provavelmente, num local com alguma luz, quente ou perto de madeira (Sagitário).

Já agora, para que conste: os hotéis são universalmente regidos por Júpiter; os restaurantes por Vénus; os transportes por Mercúrio. Em princípio, como Saturno está ao dispor de Júpiter, o hotel seria a hipótese mais viável (embora deste argumento, só nos lembrássemos depois).

Segundo os astrólogos tradicionais, a indicação de um planeta virar retrógrado também sinaliza a sua recuperação, o seu regresso (o que se passava neste caso com Saturno, que estava estacionário para retrógrado).

Na manhã seguinte, o colega apareceu com a carteira na mão: afinal, estava no hotel, dentro de uma gaveta da mesa de cabeceira (com luz e madeira, também associada a Sagitário).

hotel-room

CONCLUSÃO:

Em ambos os casos, os significadores dos objetos (chaves e carteira) estavam sobre os ângulos – a clássica indicação de muita proximidade e facilidade de recuperação. Num caso em signo fixo (mais demora – demorou 4 semanas a ser encontrado) noutro caso em signo mutável (maior rapidez, demorou 14 horas).

Provavelmente, estes objetos seriam encontrados na mesma sem recurso à Astrologia. Contudo, é evidente que esta nos pode ajudar a relaxar ainda mais e a ter uma gestão de esforço mais equilibrada. Com mais prática, poderemos poupar muito tempo e preocupações na procura de objetos de valor que sejam perdidos.

O mesmo se passa com a procura de pessoas desaparecidas. Já houve casos em Inglaterra onde foram resolvidos casos de polícia com a ajuda de astrólogos que utilizam esta abordagem horária. Sabia disto?

Em próximos artigos, iremos abordar esta e outras aplicações de Astrologia Horária, um instrumento fabuloso para análise de qualquer tema.

Obrigado!

Lisboa, 11 de Maio de 2015

João Medeiros

Bibliografia:

As Considerações de Bonatus – Guido Bonatus – séc. XIII

Carmen Astrologicum – Dorotheus de Sidon – séc. II

Christian Astrology – William Lilly  – séc. XVII

The Horary Textbook – John Frawley – séc. XXI

The Moment of Astrology – Geoffrey Cornelius – séc. XXI

Na Internet:

http://www.skyscript.co.uk/wit.html – Where is it? – Debourah Houlding

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Astrologia Horária: a Grécia e o Euro

Astrologia Horária: o Campeão 2015

 


 

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Comentários

  1. Leonardo Nakamaru  Janeiro 14, 2016

    Sensacional!
    Estou estudando agora a aplicaçao da astrologia horária, me deparei com seu blog, e digo que estou extasiado com o material que fornece em seu blog. Estou muito interessado na astrologia forense, casos que você comentou aqui em outros posts, e estou aprendendo muito com a informaçao compartilhada. Parabens e muito obrigado! 🙂

    responder
    • joaomed  Fevereiro 5, 2016

      Obrigado, Leonardo – a Astrologia é infinita, tal como os seus ramos de aplicação… grato pelo incentivo!JM

      responder

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