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Astrologia, Previsões e Futebol – Qual o Seu Interesse?

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Será possível prever tendências de jogos com a Astrologia? Se sim, que utilidade é que isso tem para as pessoas? Será para mero entretenimento, para estudo ou para apostas financeiras? E as “previsões”, num sentido geral, será que podem acrescentar algo de positivo à sociedade? E serão evitáveis?

O LIVRE-ARBÍTRIO

Estas questões são muito delicadas, uma vez que mexem com o conceito do livre arbítrio. A mera hipótese de algo ser pré-determinado esbarra no princípio fundamental da consciência humana. Por isso, é mais do que natural (e sinal de inteligência) a aversão de muitas pessoas a tudo o que implica “ler a sorte” ou “adivinhar o futuro”. De certo modo, isso ressoa como um condicionamento psicológico que é desnecessário.

Na verdade, o objetivo último da Astrologia não é a previsão (em meu entender). É sim o diagnóstico que permita conhecer melhor uma realidade (oportunidades e desafios) para podermos construir algo mais positivo com a mesma. E agir.

 Se não estiver consciente das minhas armadilhas inconscientes, como poderei algum dia ultrapassá-las, sem estar a repetir o mesmo erro de comportamento? Se desconhecer os meus talentos como poderei algum dia aproveitá-los melhor?

Neste caso, a Astrologia funciona como uma espécie de “Mapa do Tesouro”. Cabe-nos a tarefa (para alguns já perfeitamente inata) de encontrar e viver essa riqueza todos os dias. Também por outros meios como, por exemplo, a psicoterapia, meditação, coaching, entre outros – é possível chegar a conclusões semelhantes.

E, por isso, é CLARO que esta disciplina pressupõe o livre-arbítrio. Dentro de certos contextos de partida – limites físicos, emocionais e mentais. O propósito superior da Astrologia é precisamente o de nos libertar do determinismo do nosso inconsciente por todos os padrões que herdámos, sejam genéticos, sociais ou familiares.

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O FUTURO

Embora não seja o foco mais nobre da Astrologia, podemos dizer que – sob certas condições – pode ser muito útil e necessário conhecer tendências futuras de realidades, independentemente do método que utilizemos. Esse foi o primeiro objetivo desta disciplina e, durante milhares de anos, o seu único propósito: a previsão.

Esse é também o objetivo de muitas ciências, entre as quais se destaca a Meteorologia. Tal como nesta disciplina são-nos dadas informações concretas – vai fazer Sol durante três dias – para podermos organizar e aproveitar melhor o nosso tempo. Não podemos individualmente alterar o clima mas podemos, sem dúvida, preparar a roupa para ser lavada e seca nesses dias, enquanto vamos para uma esplanada ou para a praia.

Portanto, não se trata de ficar passivo com a informação (de algo concreto) mas de fazer algo com essa consciência. Seja para ciclos económicos, vida pessoal ou meteorologia – em questão, está o aproveitamento de condições para o aumento do nosso bem-estar e não o desperdício de oportunidades.

Ou seja, previsão – sim – desde que seja com o intuito de podermos beneficiar com a mesma, sem prejudicar terceiros, aproveitando melhor as condições externas ou internas através da nossa atitude.

Por outras palavras, quer seja para o auto-conhecimento ou para a previsão, a Astrologia de pouco serve se não tiver uma acção associada. E a previsão concreta em certos contextos é possível, sim. Na verdade, não deveríamos chamar de “previsão” mas de “antevisão de contextos altamente prováveis” e o seu objetivo a “rentabilização de contextos altamente prováveis”.

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O FUTEBOL

Se é evidente o benefício de sabermos antecipadamente o clima, contextos de vida pessoal, ou ciclos económicos não é tão clara a vantagem de anteciparmos o resultado de uma competição desportiva. A graça da mesma está na incerteza e na emoção que isso pode gerar. Por outras palavras, perde piada saber o resultado final se isso for possível prever com sucesso.

Hoje em dia o futebol é o fenómeno mais mediático que existe. Não há dúvidas. Move multidões, televisões e milhões. Por isso também não pode ser encarado como um desporto qualquer. Chamam-lhe o Desporto-Rei.

Na verdade e, infelizmente, a atenção em torno deste fenómeno é tão exagerada que questões cívicas, políticas e sociais muito mais relevantes são secundarizadas. O que revela um certo atraso educacional da população. Mas digamos que é uma escolha pessoal legítima: entre o entretenimento/ fuga ou a consciência/ responsabilidade.

Mas então, caso seja possível, qual o interesse em prever o desenrolar de uma competição futebolística, como saber os vencedores de certos jogos ou o campeão final? O que poderemos fazer de útil com essa informação? Será que pode haver algum benefício social?

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– Os Adeptos

Se é um simples adepto da modalidade (a partir do sofá), a informação é-lhe pouco útil. Se a sua equipa ganhar, você deixa de poder saborear a vitória tão entusiasticamente. Se perder, também não fica tão amargurado porque já esperava.

Porém, se for um adepto ferrenho que vá a alguns jogos, essa informação pode permitir antecipar a compra de uma viagem de avião mais barata ou a reserva de um hotel, para acompanhar a equipa na vitória. Cabe-lhe a si saber se compensa ter perdido a “adrenalina” da surpresa.

– Os Jornalistas

Imagine que faz parte de uma equipa televisiva que acompanha a sua seleção num campeonato do mundo. Quantos custos poderiam ser poupados sabendo quantos dias a equipa ficaria hospedada e quando teriam de regressar a casa? Provavelmente alguns.

Então, mais do que para efeitos desportivos, para efeitos logísticos de quem acompanha as equipas em coberturas mediáticas pode ser interessante esse conhecimento prévio.

– Os Apostadores

Mas outra questão pertinente que se coloca é a das apostas desportivas, que hoje em dia movimentam também muito dinheiro. O conhecimento prévio dos resultados ou tendências das partidas dá obviamente uma vantagem decisiva ao apostador o que, no limite, poderia garantir-lhe até uma fortuna.

Teoricamente faz sentido aproveitar um “prognóstico” astrológico para uma aposta em bolsa desportiva. Em conjunto com uma série de outras informações, o apostador fará o seu diagnóstico das tendências e apostará em conformidade. E uma vez que o retrato astrológico pode ser mais eficaz do que qualquer outro, a vantagem é grande.

Porém, na realidade esta situação envolve questões éticas importantes. Digamos que a Astrologia em si, enquanto ciência sagrada de revelação da ordem divina aos homens, não “gosta” de aproveitamentos pessoais com o prejuízo de terceiros. Que é o caso das apostas em jogos de soma nula, ou seja, cujo lucro de um corresponde ao prejuízo do outro e não a um ganho de ambos.

E, por isso, caso uma pessoa queira estudar Astrologia para ficar rico neste tipo de jogos é natural que fracasse. O mesmo acontece se um astrólogo é “contratado” para esses fins exclusivamente ou que se dedique apenas a essa especialidade. A inteligência do sistema astrológico é de tal ordem que, com o tempo, os “lucros” serão anulados, bem como as vaidades pessoais.

Mas então algumas pessoas não poderão levar em consideração essa análise astrológica numa aposta? Na minha opinião, poderão, sim mas apenas em condições muito específicas de que falarei mais adiante.

– Os Investidores

Neste caso, a questão é um pouco diferente. Se souber antecipadamente que a minha equipa – digamos o Benfica – vai ser campeã nacional este ano poderei investir em ações da Bolsa da Benfica S.A.D.. Estarei a incentivar os seus recursos e a valorizá-los, podendo ou não vender as ações no final do campeonato.

Nesta situação, não estarei a prejudicar diretamente ninguém mas a incentivar a produtividade do clube. Porém, também aqui se levantam questões éticas e mesmo técnicas.

A vitória num campeonato pode não corresponder ao aumento do valor das acções de determinado clube no mercado de capitais, uma vez que gerir um clube envolve muitos outros fatores. Neste caso, faz mais sentido que o astrólogo responda à questão “Será que as ações do Benfica vão ser valorizadas este ano?”.

– Os Jogadores

Para os jogadores, profissionais de alta competição, estas previsões são inúteis. O seu papel é sempre o de fazer o melhor pelo seu clube e, sejam quais foram as circunstâncias, procurar sempre a vitória.

Todavia, para os jogadores mais crentes o conhecimento da “antevisão” poderá fazê-los corrigir estratégias de forma a aproveitar melhor as oportunidades ou minimizar os problemas – alterando assim o curso da própria previsão.

Portanto e sintetizando, a utilidade dos prognósticos desportivos com a Astrologia é:

– muita para os interessados em Astrologia e no seu funcionamento técnico (sejam profissionais ou estudantes);

– pouca para os adeptos que adoram a emoção da incerteza;

– razoável para os jornalistas que cobrem os eventos como observadores (e não como intervenientes diretos);

– muita, mas pouco ética, para os apostadores; razoável para os investidores financeiros;

– pouca, para os jogadores profissionais.

Então em que condições e para quê fazer previsões futebolísticas ou desportivas? E qual a sua fiabilidade e os seus riscos?

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O DIAGNÓSTICO

Como dizia o grande mestre astrólogo William Lilly: “quanto mais sagrada a tua Arte, e mais perto estiveres de Deus, mais puro será o teu julgamento”.

Na prática, isto quer dizer que a avaliação astrológica deve ter inerente alguma pureza de intenções do astrólogo para que seja eficaz e propósitos elevados, de elevação da qualidade de vida dos visados. Essa avaliação pode e deve obviamente ser recompensada, atendendo ao trabalho envolvido, mas não é esse o objetivo fundamental do astrólogo. O seu objetivo é o de prestar um serviço de qualidade ao próximo, dentro de padrões éticos essenciais.

Assim sendo, as astro-previsões desportivas – e a possibilidade de algumas pessoas considerarem essas indicações nas suas apostas financeiras/ desportivas – fazem sentido do ponto de vista prático e ético apenas se:

(1) a análise for pública (colocada em meios jornalísticos ou de internet acessível a todos) para que todos possam beneficiar dela em igualdade de circunstâncias.

(2) se o propósito de quem a publica (o astrólogo) não for a geração de lucro individual dos apostadores – muito menos de apostas suas em bolsas do género – nem a sua glorificação pessoal, mas propósitos pedagógicos (explicação da matéria astrológica, sendo as competições desportivas exemplos de aplicação e divulgação desta área do conhecimento) e de aprendizagem/ mestria da própria linguagem astrológica.

(3) é igualmente legítimo o simples propósito de entretenimento privado ou público embora, neste caso, a previsão possa ser mais falível porque o astrólogo poderá não colocar tanto rigor na interpretação, atendendo ao esforço de estudo envolvido.

Ou seja, em meu entender, um astrólogo poderá fazer estas análises apenas: se quiser aprender mais e desenvolver a sua técnica; ou divulgar/ ensinar ao público exemplos de aplicação da sua disciplina; ou simplesmente divertir-se com as mesmas (e sem especulação financeira envolvida do tipo “jogos de apostas”, com prejuízos diretos de terceiros).  

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Podemos considerar assim esta vertente da Astrologia como uma espécie de “Cavalo de Tróia” que poderá atrair a atenção de público desconhecedor desta matéria, cativando mais pessoas para uma consciência holística e para o seu auto-conhecimento com esta ferramenta. Em particular, o público masculino que é normalmente mais avesso a estas matérias (astrológicas).

Contudo, para o efeito, as análises terão de ser feitas, na sua grande maioria, com grande exigência técnica e alguma reserva. Caso contrário, o efeito será precisamente o oposto do desejado: descredibilização pública ainda maior desta área, já de si, tão sujeita a desinformações.

E para que o diagnóstico seja bem feito o astrólogo só tem um caminho possível: praticar. Com humildade e com igual empenho todas as áreas da Astrologia, uma vez que só podem florescer em conjunto. Dignificando o seu trabalho, a sua arte e, mais do que tudo, a consciência coletiva.

Resumindo, e uma vez que o interesse das previsões astro-desportivas é essencialmente didático, lúdico e académico (uma vez que não há grande benefício prático para a maioria das pessoas, havendo também o risco de perda de reputação da Astrologia com diagnósticos menos corretos) devem ser feitas com alto sentido de parcimónia e pedagogia, frisando claramente esse objetivo e incentivando o estudo da Astrologia noutras vertentes.

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 Lisboa, Junho de 2014

João Medeiros

 Nota: Veja aqui exemplos de previsões concretas divulgadas antes dos jogos (do Mundial de Futebol de 2014):

Grupo do BRASIL : AQUI

Grupo de PORTUGAL: AQUI


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